sábado, 2 de maio de 2009

Rua deserta

Eram 3 da manhã e eu estava a subir a rua. Imaginei-te a ti como sendo minha, a minha resposta. Enquanto andava senti-me a sufocar, não me apercebi do porquê, até sentir o tão conhecido ardor nos meus olhos. A minha visão tornou-se turva e então conheci um mundo diferente. A rua estreita que tinha candeeiros dos dois lados do passeio depressa se tornou mais extensa, e o brilho que emanava dos candeeiros depressa se tornou mais intenso. O alcatrão parecia como que um mar calmo com tons que rodeavam o preto e as casas que pela rua se estendiam pareciam uma parede única com metros e metros de comprimento. Comecei a apressar o passo, o mar depressa se tornou revolto, a luz que emanava dos candeeiros já parecia estar ligada entre eles como se tratasse de uma corrente de luz. Tudo estava fora do lugar, e parecia tudo tão familiar. O meu corpo ajudou-me a expulsar as lágrimas que agora rolavam de dentro para fora de mim como se quizessem expulsar sentimentos reprimidos. Queria ficar assim para sempre...sozinha, procurando a minha resposta. Corro mais rápido, só para te ver desaparecer. Inconformada, olho para o sítio onde pensei que estavas. "Volta..." senti-me proferir esta palavra sem qualquer esforço, sem que me apercebesse.
"Volta! Agarra-me na mão e puxa-me! Volta..." a última palavra já quase que era inaudível, apenas os meus lábios sabiam o segredo que tava escondido por trás dela. Mais uma lágrima, chamei-lhe "desapontamento".
Volto para casa sentindo-me derrotada por não ter encontrado uma resposta outra vez. Andei pelas ruas sem sentido, sem que fosse preciso ser julgada ou denunciada por olhos alheios. Um carro...passou. Outro...também. Cegos? Não, atarefados.
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