segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Virei-me.E ainda Estavas lá. Falavas como nunca tinhas falado comigo, tão abertamente. "O que é que será que estão a falar?". Reparei a maneira de como mexias no cabelo, da maneira como olhavas para ele. Podia ser só da minha cabeça, mas por dentro eu ainda rezava para que estivesse totalmente errado. Instintivamente olhei para a tua mão, ainda tinhas o anel que te dei...
Não percebi o que se passava, até que ele te abraçou. Apesar de não ser nada demais senti-me irritado, inferior e magoado. Eu devia estar no lugar dele!
Sem saber avancei, estupidamente cego pela irritação que pulsava nas minhas veias avancei e agi com violência. Os teus pedidos para que parasse eram-me quase ináudiveis de tão distantes. Continuei, e ele respodeu ao meu pedido silencioso. "Por favor bate-me, porque estou a morrer por dentro!" Afastei-me finalmente quando já sentia mais poder sob mim mesmo. Dias passaram, talvez meses. As constantes lutas interiores e perguntas, todos os dias me assombravam sempre com uma dor superior á do dia passado. Todos os dias te via na rua...com ele. Todos os dias te amava mais, me matava mais.
Um dia senti o meu telemovel vibrar, era ela. Imediatamente acendeu-se um sorriso na minha cara enquanto atendia a sua chamada, mas a voz do outro lado não era a dela. A voz do outro lado era dele. Preparado para desligar a chamada ouvi quatro palarvas que me fizeram parar com o choque: "Ela está a morrer". Perguntei-lhe onde ela estava e corri, corri até me doerem os pulmões, mas nada disso importava desde que chegasse a tempo para lhe dizer o quanto a amo. Quando cheguei ao hospital soube, era tarde demais. Senti-me agarrado por vários braços que impediam que eu tentasse fazer algo estupido. Depois vi-o. Ao canto á espera que me acalmasse, ele simplesmente olhava para mim. Quando cheguei ao pé dele, ele ergueu o punho fechado, apenas para revelar dentro deste o anel que dei a ela. "Ela queria que tu ficasses com o anel. Nunca o tirou até hoje..." O desespero apoderou-se de mim como nunca pensei. O facto de ter acabado comigo, as mentiras, as discussões sem sentido, a irritabilidade comigo, era tudo para me proteger...Sufoquei no meu próprio mar de lágrimas, não queria acreditar no que estava a acontecer. Ela amava-me.


Esta história é para mostrar que as coisas nem sempre são o que parecem ser e que existem algumas pessoas que preferem ficar sozinhas e afastar as pessoas de quem mais gosta mesmo por não as querer ver sofrer. Ao afastá-las não quer dizer que goste menos, ás vezes até pode ser porque gosta mais. =)

Passar bem
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