O meu passado define-me.
Passado que me ensinou que só podes parar de sentir dor quando a tens em demasia,
Vou escrever toda a verdade. O que aconteceu á família Gomes segundo os meus olhos. Muitas das coisas que irei contar poderão não estar por ordem ou data mas farei o possível, visto que nunca me consigo lembrar muito bem, quando é que aconteceu "X" evento.
Vou começar do inicio. Tenho flashs das minhas primeiras lembranças. Lembro-me da casa da minha avó Dulce(mãe da minha mãe) na baixa de Faro junto a uma igreja. Nunca gostei muito dessa casa. Lembro-me de ter medo do corredor e da minha mãe querer pegar fogo á própria mala. Foi a minha primeira lembrança. Lembro-me da mudança que fizemos para a nossa casa na 18 de Junho em Olhão, onde vivia a Lina(minha madrinha) e o filho dela, o João. Lembro-me das paredes grafitadas no meu quarto e de quanto tempo levou até aquela casa ficar limpa segundo os padrões da minha mãe. Lembro-me da minha querida Tia Idália, que foi a pessoa que cuidou de mim desde o meu primeiro mês de idade até aos 6/7 anos. Ensinou-me a rezar e que devíamos agradecer por tudo e que ovos estrelados com açucar é a melhor coisa do mundo. E foi a única pessoa que me ensinou tais coisas desde então, não que eu rezasse ou ligasse muito a isso, mas para ela tinha um significado tão genuíno que me levava a querer acompanhá-la mesmo não acreditando. Eu acreditava nela, e isso bastava-me. Lembro-me de ir para a Dona Geninha e foi lá que fiz a minha primeira e grande amiga, Nicole. Nicole era e é uma das pessoas mais queridas e atenciosas que conheço. Desabafava comigo sobre a mãe dela e seus problemas. Cantava-me músicas pimba que eu absolutamente odiava, mas de certo modo até que aprendi a gostar, porque 5 anos de convivência já é qualquer coisa. Lembro-me do Roberto um rapaz da minha turma ter gritado comigo e dizer para eu parar de brincar porque tropecei no Francisco e quase o "matei" por ser gorda. Lembro-me desse mesmo rapaz ter dito tempos depois que gostava de mim e insistia que pisar caca de cão mesmo que seja de propósito, lhe iria dar sorte, e fazia-o. Lembro-me do Miguel(irmão mais novo da Nicole) a visitar na Dona Geninha e de ver os olhinhos dela a brilhar com lágrimas de felicidade. Como eu gostava de ser de ser irmã dela e ver alguém gostar de mim assim. Lembro-me de me aperceber que os meus pais discutiam todos os dias, não sei o porquê de não o ter notado antes. Discutiam logo quando eu estava na parte mais interessante do meu livro. Todas as noites eu lia os meus livros da Disney e insistia em durmir abraçada a eles, eram de capa dura então não havia a preocupação de se estragarem. A minha cassete de video favorita era a do Rei Leão, todas as noites eu e a minha irmã víamos aquela cassete, com o mesmo entusiasmo, como se fosse a primeira e ríamos até chorar na parte das hienas. Até hoje ainda nos lembramos das falas e das letras das músicas. Comecei-me a aperceber cada vez mais que os meus pais discutiam, ao ponto de não conseguir ignorar. Gostava de assistir ás discussões para ver o porquê de tanta gritaria e para ver quem é que tinha razão. Apercebi-me de que as agressões verbais de algum modo evoluíram para físicas e desde aí vi-me obrigada a assistir sempre que podia. Queria defendê-los de eles mesmos se fosse possível. Lembro-me de brincar com a minha vizinha de cima Tânia, e eu achava ela a pessoa mais fixe que podia haver. E foi ela a primeira pessoa que me fez sentir mal por ser da cor que sou. E nunca mais lhe falei, principalmente aos pais dela, por criarem uma criança assim, com deficiência de carácter. Sempre achei que era capaz de cuidar do mundo e sempre senti que fui feita tomar conta de tudo e de todos, uma espécie de avó, mesmo tendo apenas 5 anos. Gostava de andar a pé com a minha avó Perpétua e dizer olá ao sapateiro perto da minha casa, gostava muito do quão pequenina a loja dele era e de quão atafulhada estava. Também passávamos junto ao lar de Idosos ao lado da casa de freiras, e eu insistia que sempre que passava por lá tinha de dar um doce ao velhote da cadeira de rodas que estava lá sempre á porta. Parecia sempre tão triste e eu achava que se eu fico ficava feliz com um doce, ele concerteza também ficaria. Lembro-me de me aperceber de que a minha família era diferente das outras. A minha mãe fazia pequeno-almoço, almoço e jantar para todos nós. Sentávamo-nos na mesa da cozinha e comíamos enquanto estava quente, todos excepto ela que ficava a lavar a loiça ou limpar a cozinha, porque a sujidade só saía quando era ela que lavava. Lembro-me de ouvir a mnha tia Ziza num jantar de Natal gozar com a minha e chamar-lhe de bulémica enquanto a minha mãe estava a caminho da casa de banho. Na altura não sabia o que era, mas não gostei do tom dela nem um pouco, não percebi o porquê de ela chamar um nome obviamente mau á minha mãe e na frente de todos e o pior é que ninguém disse nada. Tempos depois vim a saber que nem todas as mães comem a meio da noite e se sente mal dispostas logo a seguir, e que todas as outras mães se sentam á mesa assim como o resto da família. Sempre pensei que a televisão mentisse a esse respeito, as mães afinal sentam-se mesmo á mesa e comem e não ficam mal dispostas.
quinta-feira, 23 de julho de 2015
domingo, 10 de maio de 2015
Esqueci-me
Esqueci-me de que coroas são nada mais que pesos em cabeças de pessoas comuns
Esqueci-me que pessoas comuns comandam mais o meu destino que eu
Esqueci-me que pessoas não são ilhas,
Mas Ilhas têm mais vida que muitas pessoas.
Esqueci-me de cidades destruídas pelas guerras,
Esqueci-me de que essas mesmas cidades ainda continuam em guerra.
Esqueci-me de que as cores das folhas mudam em cada estação
E que assim como as folhas também irei mudar
Esqueci-me até da minha própria cor
Ou talvez apenas tenha esgotado até da merda do quanto isso me importa
Esqueci-me que o caminho para Utopia não é o mesmo que o de Roma
E que Utopia parece tão mais perto quando acompanhada por ti
Esqueci-me de que nem tudo são rosas
Esqueci-me de que verdade sempre vem á tona
Esqueci-me daquilo de que mais me quero esquecer
E é dificil.
Esqueci-me da minha raiva
Esqueci-me que esta vive no meu maxilar e está implantada na minha lingua
Esqueci-me da minha lingua
Esqueci-me de poder durmir, de viver para te servir
Esqueci-me de quando comecei a escrever
Esqueci-me de que o meu próprio coração está em guerra
E merda. Lembras-te? Esqueci-me da minha lingua
Esqueci-me de que todas as manhãs vejo Utopia
E esqueci-me de que dias são feitos de manhãs
Ou talvez até me esqueci da merda da qual já nem me importo
Ás vezes até me esqueço o quão dificil é lembrar-me.
Esqueci-me que pessoas comuns comandam mais o meu destino que eu
Esqueci-me que pessoas não são ilhas,
Mas Ilhas têm mais vida que muitas pessoas.
Esqueci-me de cidades destruídas pelas guerras,
Esqueci-me de que essas mesmas cidades ainda continuam em guerra.
Esqueci-me de que as cores das folhas mudam em cada estação
E que assim como as folhas também irei mudar
Esqueci-me até da minha própria cor
Ou talvez apenas tenha esgotado até da merda do quanto isso me importa
Esqueci-me que o caminho para Utopia não é o mesmo que o de Roma
E que Utopia parece tão mais perto quando acompanhada por ti
Esqueci-me de que nem tudo são rosas
Esqueci-me de que verdade sempre vem á tona
Esqueci-me daquilo de que mais me quero esquecer
E é dificil.
Esqueci-me da minha raiva
Esqueci-me que esta vive no meu maxilar e está implantada na minha lingua
Esqueci-me da minha lingua
Esqueci-me de poder durmir, de viver para te servir
Esqueci-me de quando comecei a escrever
Esqueci-me de que o meu próprio coração está em guerra
E merda. Lembras-te? Esqueci-me da minha lingua
Esqueci-me de que todas as manhãs vejo Utopia
E esqueci-me de que dias são feitos de manhãs
Ou talvez até me esqueci da merda da qual já nem me importo
Ás vezes até me esqueço o quão dificil é lembrar-me.
sábado, 18 de abril de 2015
Dermotilomania, como parar
Á algum tempo que eu queria falar sobre isto. Hoje irei falar de: dermotilomania! Apesar de já estar mais confortável com as minhas cicatrizes ainda tenho alguns medos em mostrá-las ao mundo. O ano passado (2014) foi o primeiro verão que eu fui capaz de comprar e vestir vestidos e blusas que deixassem os meus ombros, peito e costas descoberto. Isto tudo porque tive a feliz ideia de falar com um tatuador que me ajudou a criar um desenho que eu gostasse e que pudesse tapar as partes mais "negras" do meu ombro e costas. Eu sei que agora já estou bastante melhor e que já nem o faço com a mesma frequência nem em tantas partes do corpo e estou muito feliz por isso também.
Agora vamos á parte boa do post! Vou tentar ir por partes.
Primeiro irei dizer como tentar fazer com que paremos com o vicio ou não cair tantas vezes na tentação de:
1. Estar SEMPRE dois passos afastado de um espelho;
2. Caso necessites usar um espelho, usa-o na casa de banho e com uma luz fraca (não podes tirar imperfeições quando não as consegues ver);
3. Tenta demorar o menos tempo possível no banho, quanto menos tempo tiveres sem roupa, maior é a probabilidade de caíres na tentação;
4. Ao tomar banho, nunca uses as tuas mãos para lavar o teu corpo, tenta utilizar ou uma lufa, luva esfoliante ou esponja de banho;
5. Tenta fazer coisas que obriguem teres as mãos ocupadas, como escrever, crochet, cozinhar, levar o cão á rua, mantém-te activo!;
6. Tenta ou ter as unhas ou o mais curtas e limadas possível ou usar unhas de gel, assim mesmo que caias na tentação, não terás muito sucesso;
7. Dorme de luvas;
8. Tenta usar roupa que cubra a área mais afectada, ou que gostes mais de "atacar".
Dicas fofas para manter uma boa pele e acabar com cicatrizes:
1. Esfoliação!! Pessoalmente eu faço-o todos os dias, depende da pessoa;
2. Hidratação, não só beber água, mas a seguir ao banho tenta sempre usar um creme hidratante;
3. Algumas pessoas recorrer ao dermoroller, mas só recomendo quando são cicatrizes ligeiras e já saradas, e não sem antes consultar um médico especialista;
Espero que isto possa ajudar alguém :)
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